A organização Transport and Environment (T&E) aponta que os carros novos que circulam pela Europa estão ficando cada vez mais largos - e que essa tendência deve continuar.
Números do aumento de largura na Europa
Para chegar a essa conclusão, a T&E colocou lado a lado a largura dos 100 carros mais vendidos em 2018 e a dos 100 mais vendidos em 2023. O resultado foi um crescimento da média de 177,8 cm para 180,3 cm, o que equivale a um aumento de cerca de 1 cm a cada dois anos.
O ICCT (International Council on Clean Transportation) identificou um movimento semelhante ao observar a evolução da largura média dos automóveis entre 2001 e 2020: passou de 170,5 cm para 180,2 cm, respectivamente.
«Mais centímetro, menos centímetro»
Um dos efeitos mais visíveis desse alargamento tem a ver com infraestruturas pensadas para carros - como estacionamentos - que não cresceram no mesmo ritmo. Na prática, as vagas e até algumas vias começam a ficar pequenas demais.
“A tendência verificada de veículos cada vez mais largos está a reduzir o espaço rodoviário disponível para outros veículos e ciclistas, ao mesmo tempo que os automóveis estacionados estão a invadir cada vez mais os passeios.”
European Federation for Transport and Environment (T&E)
Embora o aumento da largura seja observado em diferentes categorias de veículos, a procura do mercado por SUV nas últimas duas décadas acelerou esse processo.
SUV, vagas de estacionamento e disputa por espaço
Como exemplo, a T&E destaca que, em muitas cidades europeias, a largura mínima de uma vaga de estacionamento é de 180 cm. Ao mesmo tempo, já existem muitos SUV com quase 200 cm de largura (sem contar os retrovisores), o que faz com que simplesmente não caibam nesses espaços. Não por acaso, 52% dos 100 modelos mais vendidos em 2023 têm 180 cm de largura ou mais.
Além de os carros estarem mais largos e as ruas parecerem mais estreitas, isso também complica manobras e eleva o risco para outros usuários, como pedestres e ciclistas, ao reduzir o espaço disponível para circulação.
A T&E também chama atenção para um efeito indireto: quando a largura aumenta, os veículos tendem a crescer em altura, e isso eleva o perigo para pedestres e ciclistas. Segundo a entidade: “um aumento de 10 cm na altura da frente dos veículos aumenta em 30% o risco de fatalidade em caso de colisão com um peão ou um ciclista”.
Há solução?
A T&E defende que a União Europeia (UE) reavalie a largura máxima permitida para veículos novos. Hoje, há um limite de 255 cm, mas, mesmo sem isso estar explícito na legislação, esse teto foi estabelecido sobretudo para limitar veículos pesados de passageiros (ônibus) e de carga (caminhões).
Em outras palavras, nada impede que uma montadora coloque no mercado um carro de passeio com 2,5 m de largura.
Além de sugerir limites para a largura dos carros, a T&E propõe que as tarifas de estacionamento sejam proporcionais ao tamanho e ao peso do veículo - ou seja, que paguem pelo espaço extra que ocupam.
Isso já começa a aparecer em algumas decisões locais, como no resultado do referendo realizado em Paris, na França. Foi aprovado que todos os veículos com mais de 1600 kg a combustão e com mais de 2000 kg a eletricidade paguem três vezes mais para estacionar na cidade.
Embora a regra atinja diversos tipos de veículos, a expectativa é que ela pese principalmente sobre SUV médios e grandes.
Fonte: T&E
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