A Stellantis é um dos grupos automotivos mais novos do setor - surgiu em 2021, a partir da fusão entre PSA e FCA -, mas já se consolidou também como um dos mais lucrativos da indústria. E os números de 2023 só reforçam esse posicionamento: foi um ano de recordes.
Na apresentação online dos resultados financeiros de 2023, que acompanhamos, a Stellantis informou que a receita líquida do grupo avançou 6%, chegando a 189,544 bilhões de euros - um novo patamar histórico. Em 2022, esse total tinha sido de 179,592 bilhões.
Além disso, o lucro líquido também bateu um novo recorde, somando 18,625 bilhões de euros, o que representa um crescimento de 11% em comparação com 2022.
Se receita e lucro alcançaram marcas inéditas, a margem operacional ajustada ficou bem próxima do pico: 12,8% (13% em 2022). Vale lembrar que, quando o programa estratégico Dare Forward 2030 foi anunciado, a meta inicial era superar 12% de margem apenas em 2030.
Vendas de elétricos a subir
Junto dos resultados financeiros, a Stellantis também apresentou o desempenho comercial de seus elétricos e veículos de baixas emissões (incluindo híbridos), em um momento em que se discute bastante a desaceleração da demanda por carros elétricos.
No cenário global, o grupo automotivo registrou alta de 21% nas vendas de modelos 100% elétricos a bateria em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os veículos de baixas emissões tiveram aumento de 27% na comparação com 2022.
Na Europa (EU30), a Stellantis garantiu o terceiro lugar do pódio nas vendas de elétricos a bateria (as vendas cresceram 38 mil unidades), alcançando uma participação de 14,2%.
Nos EUA, quem ganha destaque são os híbridos plug-in: a Stellantis lidera as vendas desse tipo de motorização (136 mil unidades no total). O principal nome? O Jeep Wrangler 4xe, que é o híbrido plug-in mais vendido em território do Tio Sam.
Dare Forward 2030
A Stellantis apresentou o plano Dare Forward 2030 em março de 2022 e, apesar de ser recente, o grupo afirma estar cada vez mais próximo de atingir seus objetivos antes do prazo.
Esse plano se apoia em três pilares: Care (Cuidar), Tech (Tecnologia) e Value (Valor). A ambição é dobrar a receita líquida até 2030 (em comparação com 2021) e manter, ao longo da década, margens de lucro operacional ajustado em dois dígitos.
“Os resultados financeiros recorde são a prova de que nos tornámos num novo líder global no nosso setor, e que continuaremos «sólidos» enquanto olhamos para um 2024 turbulento. Estamos preparados para enfrentar os vários cenários que possam surgir e continuar a cumprir os nossos objetivos Dare Forward 2030.”
Carlos Tavares, diretor-executivo Stellantis
No balanço do ano, a execução desses três pilares vem mostrando a evolução esperada, e a Stellantis reduziu suas emissões absolutas de CO2 em 2023 na comparação com 2021. Além disso, no ano passado, o grupo também investiu em seis novas empresas e assinou 49 contratos comerciais com startups.
Planos para o futuro
A expectativa é de que 2024 seja mais desafiador do que 2023, principalmente no avanço da adoção dos carros elétricos, mas a Stellantis diz que seguirá firme em seus planos. O portfólio de elétricos do grupo deve crescer de 30 modelos em 2023 para 48 modelos em 2024 (mais 60%).
Em 2024, no mercado global, o portfólio de elétricos da Stellantis vai passar de 30 modelos em 2023 para 48 modelos no fim de 2024, uma expansão de 60%.
A empresa quer chegar à liderança mundial até 2027 com uma linha totalmente atualizada e ampliada, incluindo versões com motor a combustão interna, elétricas a bateria, híbridas e a célula a combustível.
Em 2021, Carlos Tavares anunciou um investimento de mais de 30 bilhões de euros até 2025 na eletrificação do grupo - e, até aqui, não houve sinais de desaceleração. E a estratégia não se limita aos elétricos a bateria: a Stellantis também pretende apostar em mais híbridos e em elétricos a célula a combustível (sobretudo nos comerciais).
Ainda no tema da eletrificação em ritmo crescente, vimos recentemente a Stellantis e a Mercedes-Benz unidas na construção de três novas gigafábricas na Europa. Saiba mais.
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