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Renault Scenic E-Tech elétrico: mais interessante e ainda ideal para famílias?

Carro elétrico Renault Scenic EV verde em exposição moderna com janelas e carregador ao fundo.

Esqueçam as raízes de minivan: o Renault Scenic ficou bem mais interessante. Ainda é a escolha certa para famílias?


Depois do Megane, chegou a vez do Scenic passar por uma transformação profunda e assumir o papel de vitrine da nova fase elétrica da Renault.

A herança de monovolume foi deixada para trás - são mais de cinco milhões de unidades emplacadas desde 1996 - e, nesta quinta geração, ele surge como um crossover 100% elétrico do segmento C (familiares compactos).

Agora, o Renault Scenic E-Tech elétrico tenta ganhar pelo conjunto de autonomia elevada e consumo baixo. Mas será que ele continua cumprindo bem o “dever de casa” com a família? Fomos ao sul da Espanha para tirar a dúvida.

Colocado acima do Megane E-Tech na gama, o Scenic chama atenção por estrear a linguagem visual mais recente da Renault, assinada pelo atual chefe de design da marca, Gilles Vidal.

A antiga silhueta de monovolume ficou no passado. O desenho agora adota dois volumes bem marcados e essa nova identidade aparece com mais força nas extremidades, com traços mais retos e angulosos.

Também valem destaque as rodas quase fechadas (podem chegar a 20”), as maçanetas embutidas e a linha de teto relativamente baixa - ainda que este Scenic E-Tech seja 6 cm mais alto do que o Megane 100% elétrico.

Onde é que eu já vi isto?

Ao entrar na cabine, o que mais salta aos olhos é a familiaridade com o Megane E-Tech, embora, neste Scenic, a montagem e os materiais pareçam estar um degrau acima.

A ergonomia segue praticamente impecável, com uma ressalva: a grande haste da transmissão atrapalha a perfeição, já que, em alguns momentos, fica um pouco à frente da instrumentação digital.

Nos bancos, não há do que reclamar: são confortáveis, sustentam bem o corpo quando o ritmo aumenta e ainda reforçam uma preocupação ambiental, já que a Renault faz questão de dizer que não usa couro de origem animal no interior deste modelo.

Este infoentretenimento devia ser exemplo

Assim como acontece no Megane, Austral e Espace, o Scenic traz a dupla de telas: um painel de instrumentos de 12,3” e uma central de 12”. A primeira é horizontal; a segunda, vertical e voltada para o motorista.

Comandos físicos do ar-condicionado completam o conjunto, e o painel se destaca pela boa experiência de uso, especialmente na multimídia, que roda um sistema operacional baseado no Android Automotive.

Com isso, ele herda muito do “DNA” dos smartphones Android e ainda oferece, nativamente, integração com apps como Google Maps, Waze e Spotify - o que é uma excelente notícia.

Ainda é um familiar?

Depois deste primeiro contato, é difícil ser mais direto: sim. Há muito espaço na segunda fileira, as portas traseiras abrem bastante e, apesar do teto ser um pouco baixo, o acesso à cabine acontece sem esforço. Por isso, instalar uma cadeirinha de bebê não exige nenhum malabarismo.

O porta-malas também merece elogios e fica no nível do que há de melhor no segmento. O Scenic E-Tech entrega 545 l de capacidade, que pode chegar a aproximadamente 1600 l com os bancos traseiros rebatidos.

Vários truques na manga

Para aumentar o bem-estar a bordo, o Scenic oferece duas soluções bem interessantes - e, principalmente, pouco comuns entre as chamadas marcas generalistas.

A primeira se chama Solarbay: é um teto panorâmico (opcional) com cristais líquidos que, com um toque no botão ou por comando de voz, muda de transparente para opaco, ajudando a proteger do calor ou do frio.

Dá para ver essa tecnologia funcionando no vídeo em destaque neste artigo. Ou, então, na imagem abaixo:

Depois, vale mencionar o apoio de braço traseiro, que é um verdadeiro canivete suíço. Ele esconde portas USB-C, um espaço para guardar dispositivos eletrônicos e dois porta-copos - que ainda podem virar um suporte para tablets e smartphones. Bem pensado, Renault.

Fórmula aprimorada

Bastaram poucos quilômetros ao volante do novo Renault Scenic E-Tech 100% elétrico para ficar clara uma coisa: a Renault pegou a fórmula muito elogiada do Megane E-Tech e decidiu ir além.

Isso aparece logo na autonomia, que neste crossover elétrico dificilmente vira preocupação, sobretudo com a bateria de 87 kWh, a maior entre as duas opções.

Nessa configuração, o Scenic promete até 625 km de alcance. Neste primeiro contato, deu para perceber que não é um número exageradamente otimista. Em ritmo normal e usando o modo ECO, registrei média de 14,9 kWh/100 km, o que, na teoria, permitiria rodar cerca de 583 km entre recargas.

Para quem não precisa de tanto alcance, o Scenic também pode vir com bateria de 60 kWh, caso em que a autonomia declarada é de até 430 km.

Dois níveis de potência

As diferenças entre as duas versões não ficam só na autonomia. A bateria maior só pode ser combinada com o conjunto mais forte, que usa um motor elétrico (instalado na dianteira) de 160 kW (220 cv) e 300 Nm.

Já a bateria menor “casa” com uma opção menos ambiciosa, com motor elétrico (também dianteiro) de 125 kW (170 cv) e 280 Nm.

Neste primeiro teste, só foi possível dirigir a versão mais potente do Scenic. Ela convenceu pela condução fácil e pela forma progressiva de entregar potência e torque, como se espera de um carro com responsabilidades familiares.

Ainda assim - repetindo o que já aconteceu com o Megane E-Tech -, também é uma proposta bem competente do ponto de vista dinâmico. A direção tem um tato agradável e os movimentos da carroceria são muito bem contidos. Só gostaria de um pedal de freio mais previsível, porque, na maior parte do tempo, ele passa uma sensação um pouco esponjosa.

Em termos de performances, os números não impressionam no papel, mas no “mundo real” são mais do que suficientes. O sprint de 0 aos 100 km/h acontece em 7,9s e a velocidade máxima é limitada a 170 km/h.

Conforto não ficou esquecido

É verdade que a suspensão (independente nas quatro rodas) tem um acerto um pouco firme, e isso aparece em pisos mais castigados - principalmente nas versões com rodas de 20″ e pneus de perfil baixo.

Mesmo assim, na maior parte do tempo, ela trabalha muito bem ao absorver as irregularidades do asfalto, mantendo os ocupantes “protegidos” dos impactos mais secos.

No geral, o Scenic merece uma avaliação positiva no conforto. Fica evidente o esforço dos engenheiros franceses tanto no conforto de rodagem quanto, sobretudo, no isolamento acústico - um ponto ainda mais importante em modelos 100% elétricos.

Quanto custa em Portugal?

O novo Renault Scenic é vendido com preços a partir de 40 690 euros, na versão de 170 cv com bateria de 60 kWh - consulte todos os preços.

Olhando apenas para a versão de entrada, fica claro que o Scenic parte de um valor bem menor do que o do seu rival mais direto, o Peugeot e-3008, que começa em 47 150 euros.

Só que a configuração básica do e-3008 traz 157 kW (213 cv) e bateria de 73 kWh, com autonomia de até 525 km.

Por isso, a comparação mais justa precisa ser com o Scenic de “grande autonomia”, com 160 kW (220 cv) e bateria de 87 kWh, que começa em 46 500 euros. Aí, o equilíbrio entre os dois modelos fica bem maior.

Ainda assim, o preço do Scenic de entrada ajuda a dar competitividade ao modelo, aproximando-o bastante de algumas opções 100% elétricas do segmento abaixo.

Veredito

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