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Prejuízos milionários afastam a Honda dos elétricos

Carro esportivo elétrico vermelho Honda Future Honga em showroom moderno com piso de concreto.

Revisão da eletrificação total até 2040

Em 2021, quando Toshihiro Mibe assumiu o comando da Honda, a eletrificação integral da linha até 2040 passou a ser um dos eixos centrais da estratégia da marca. A meta era ousada - sobretudo porque, entre as japonesas, a Honda havia sido a única a estabelecer um prazo tão curto para encerrar os motores a combustão interna.

Na prática, porém, o plano esbarrou nas condições do mercado e a correção de rota veio rápido. Em coletiva de imprensa, o diretor-executivo Toshihiro Mibe confirmou que a marca desistiu da meta de eletrificação e declarou: “esta proporção não é realista para já. Retirámos este objetivo”.

Impacto financeiro e perdas com elétricos

A base dessa decisão, segundo a empresa, está no desempenho financeiro recente. A Honda anunciou um prejuízo operacional de cerca de 414,3 bilhões de ienes (cerca de 2,2 bilhões de euros, pela taxa de câmbio atual) no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026. O resultado contrasta com os 1,21 bilhões de ienes (6,5 bilhões de euros) de lucro reportados no exercício anterior.

A administração admite que a aposta na eletrificação total foi feita cedo demais, em um momento no qual o mercado ainda não tinha capacidade para absorver a transição na escala projetada.

Para dimensionar o peso dessa antecipação, Mibe afirmou que apenas as perdas ligadas aos veículos elétricos somaram 1,5 trilhão de ienes (cerca de 8 bilhões de euros).

Aposta da Honda nos híbridos

Para tentar reverter o cenário financeiro delicado sem abrir mão do compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050, a Honda diz que adotará uma estratégia mais ampla. Assim, seguindo um caminho já visto em fabricantes chineses, o foco passará a ser principalmente os híbridos.

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A empresa planeja lançar 15 novos modelos híbridos de nova geração até o fim do ano fiscal de 2030, com atenção especial ao mercado norte-americano - um dos mais relevantes para a marca e também um dos que registrou queda mais forte nas vendas de elétricos, em grande parte por causa do fim dos incentivos à compra desse tipo de veículo.

Protótipos híbridos apresentados em Tóquio

O primeiro desses híbridos deve chegar em 2027. Já os modelos maiores - equivalentes ao Pilot ou ao Passport vendidos nos EUA - estão previstos para 2029. Para dar um sinal do que vem pela frente, a Honda exibiu dois protótipos em Tóquio: um sedã e um SUV da Acura (sua marca premium), ambos com conjunto híbrido de nova geração.

Honda Hybrid Sedan Prototype vista traseira 3/4

© Honda - A Honda vai reforçar a ofensiva de híbridos e, em Tóquio, já adiantou um dos futuros modelos dessa estratégia. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas as proporções sugerem um possível sucessor do Accord.

Galeria (2 imagens):

Protótipo antecipa um SUV híbrido da Acura

Acura Hybrid SUV Prototype - traseira

Segundo a marca, a nova geração de sistemas híbridos deve cortar os custos em mais de 30% em relação à versão lançada em 2023 no Accord, além de elevar a eficiência de combustível em mais de 10%.

A Honda também quer ampliar a produção local, nos EUA, de componentes para híbridos: dos atuais 16% para mais de 90% até o fim da década. Com isso, a empresa busca reduzir a exposição às tarifas alfandegárias norte-americanas.

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Autor: João Delfim Tomé

Metas até 2029 e realocação de investimentos

Para bancar essa mudança de direção, a Honda vai redirecionar verbas antes reservadas aos elétricos: dos 6,2 bilhões de ienes planejados para os próximos três anos, 4,4 bilhões serão aplicados no desenvolvimento de veículos a gasolina e híbridos, enquanto apenas 800 milhões irão para os elétricos.

Mibe disse que pretende recolocar a empresa no caminho da rentabilidade já no ano fiscal em curso e atingir um lucro operacional recorde de 1,4 trilhão de ienes (cerca de 8,3 bilhões de euros) em 2029. Para viabilizar o plano, a companhia também quer reduzir pela metade os prazos e os custos de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, elevar a eficiência produtiva em 20% nos próximos cinco anos.

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Autora

Mariana Teles

O universo das «quatro rodas» entrou na sua vida por intermédio da Razão Automóvel. É a sua primeira volta no mundo do jornalismo e promete não parar.

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marianagteles/

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