Quando o Artura estreou, no verão de 2022, a McLaren marcou uma virada importante: apresentou seu primeiro híbrido produzido em série (P1 e Speedtail ficaram restritos a tiragens limitadas) e também adotou a redução de cilindrada ao trocar o tradicional V8 por um inédito V6 a 120º.
Agora, a fabricante britânica soma ao supercarro o apelo de dirigir a céu aberto e com uma sensação mais imediata do ambiente ao redor: o McLaren Artura Spider. Para isso, basta aguardar 11 segundos - o tempo que o sistema eletromecânico leva para recolher ou erguer totalmente a capota.
Além do comando interno do Artura Spider, localizado próximo ao retrovisor central, que abre e fecha a capota, também há a possibilidade de operar o mecanismo por fora, com o carro parado, usando a chave do veículo.
Especificidades do Artura Spider
Neste modelo, atrás dos apoios de cabeça surgem dois “contrafortes” - que integram a estrutura de proteção anticapotagem - conectados por um vidro traseiro aquecido. Ele pode subir ou descer ao toque de um botão, seja para melhorar o conforto, seja para deixar o som do motor ainda mais presente na cabine.
Em relação ao cupê, as entradas de ar para resfriamento do motor no Artura Spider foram deslocadas para mais trás, abrindo espaço para o mecanismo e para a tampa da capota (que usa uma estrutura leve em compósito de carbono e pode receber, como opcional, acabamento em fibra de carbono brilhante).
O teto rígido retrátil é formado por um painel de fibra de carbono e pode ser configurado com um painel de vidro eletrocrômico. Na prática, o motorista escolhe, por um botão, quanta luz deseja deixar entrar no interior.
Ainda mais potente
Apesar de a capota retrátil ser a mudança mais evidente - e a mais desejada -, ela não é a única diferença em relação ao cupê. O V6 de 3,0 l em conjunto com o motor elétrico passa a entregar 700 cv de potência máxima combinada (+20 cv que o cupê), enquanto o torque máximo permanece em 720 Nm.
Combinando essa potência com o baixo peso - 1560 kg em ordem de marcha, ou seja, 62 kg a mais que o “irmão”, mas 83 kg a menos do que qualquer rival -, o Artura Spider garante desempenho fora de série. E, nos principais números, ele repete o cupê: 0 a 100 km/h em 3,0s e velocidade máxima de 330 km/h.
A transmissão automática de oito marchas, de dupla embreagem, recebeu nova calibração, passando a reagir de forma bem mais rápida aos comandos do condutor e às mudanças do tipo de estrada (curvas e piso).
O sistema de freios também foi reforçado, com novos dutos de resfriamento, enquanto o som do escapamento ficou mais “dramático” - uma crítica que eu tinha feito quando dirigi o Artura cupê e que vinha justamente da troca de um V8 por um V6.
Além disso, existe a opção de comprar um escapamento esportivo que intensifica esse efeito e envolve ainda mais o motorista.
O primeiro conversível híbrido plug-in da McLaren alcança, assim, uma eficiência energética notável (disparado, o melhor McLaren de todos os tempos nesse quesito), com consumo médio homologado de 4,8 l/100 km (108 g/km de CO2) e autonomia elétrica ampliada para 33 km.
Para comparar, no Artura cupê os números são, respectivamente, 5,7 l/100 km (129 g/km) e 30 km.
Como no cupê, o motor elétrico do Artura Spider é alimentado por uma bateria de 7,4 kWh líquidos (10 kWh brutos). O carregamento externo desse híbrido plug-in leva 2,5 horas (até 80%) com um cabo convencional, mas a bateria também é recarregada pelo motor a gasolina em movimento.
“Ao contrário do que é normal, não efetuamos regeneração de energia através da travagem, mas sim por via do motor. A ideia é permitir que o tato do pedal do travão seja o mais natural e intuitivo possível, ao mesmo tempo que sentimos que o motor é suficiente nos modos de condução mais «agressivos».”
Richard Jackson, diretor de sistemas de propulsão da McLaren
Condutor no centro do mundo
A cabine segue totalmente voltada ao motorista e, pelo que se vê, não há mudanças em relação ao cupê. Mantém-se a conhecida separação dos modos de condução entre os ajustes do conjunto motriz (Powertrain) e os de dinâmica/comportamento (Handling).
A central multimídia usa uma tela de 8”, com um sistema que traz os aplicativos habituais da McLaren, Track Telemetry e Variable Drift Control - em 15 níveis diferentes, para manter a traseira “na linha” ou “bem solta” -, mapa de navegação no painel de instrumentos, compatibilidade com Apple e Android (pela primeira vez em um McLaren) e espelhamento do celular.
Nos recursos de assistência ao motorista, o Spider passa a contar com monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Quando chega?
As entregas do Artura Spider começam no meio deste ano, com preço estimado cerca de 25 mil euros acima do cupê, ou seja, chegando perto de 300 mil euros.
Ainda assim, a marca britânica projeta que, no mercado global, esta versão conversível terá demanda maior no primeiro ano.
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