O amanhã do carro segue digital, mais conectado do que nunca - mas, pelo que tudo indica, também vai resgatar os botões. Essa foi a sinalização dada por Ricardo Vieira, diretor-geral da Volkswagen em Portugal, durante mais uma edição do Auto Talks da Razão Automóvel, realizada no ECAR Show 2026, no contexto da apresentação nacional do Volkswagen ID. Polo.
De acordo com Ricardo Vieira, a marca levou a sério as críticas de clientes e da imprensa especializada sobre a troca de comandos físicos por superfícies táteis e por camadas de menus nas telas.
“A voz do cliente foi ouvida”, disse Ricardo Vieira. E completou: “É público que, de fato, o Grupo Volkswagen admitiu que talvez tenha exagerado um pouco nesta fase.”

© Razão Automóvel - Ricardo Vieira, diretor-geral da Volkswagen em Portugal, com Diogo Teixeira, publisher da Razão Automóvel.
Nem tudo deve estar numa tela
Nos últimos anos, a indústria automotiva entrou numa espécie de “corrida da tela”: mais polegadas, menos botões, cabines visualmente mais limpas e comandos cada vez mais concentrados no sistema de infoentretenimento.
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A lógica é fácil de entender: se dá certo no smartphone, por que não funcionaria no carro? O problema é que um automóvel não é um smartphone - principalmente em movimento. Sem contar que, na prática, costuma ser mais barato colocar telas no lugar de botões.
Ricardo Vieira não faz oposição à digitalização - muito pelo contrário. Ainda assim, ele reconhece que, em determinadas funções, o caminho “mais moderno” nem sempre entrega a melhor experiência. “A importância dos botões físicos continua a existir”, afirmou.
Vídeo (YouTube): Novo Polo é uma REVOLUÇÃO. Vai MUDAR tudo na Volkswagen
O ponto aqui não é só preferência pessoal ou saudade de painéis “como antigamente”. Entra também ergonomia, costume e, em vários casos, segurança. Existem comandos que o motorista precisa acionar quase sem tirar os olhos da via: climatização, volume, desembaçamento, etc.
É justamente nesse tipo de uso que a Volkswagen diz estar ajustando o rumo - a começar pelo ID. Polo. Nesse cenário, ele aparece como algo além do novo elétrico de acesso da marca: também representa uma volta a fundamentos tradicionais da Volkswagen, incluindo interiores fáceis - e até intuitivos - de operar.
Um passo atrás para avançar melhor
Na leitura de Ricardo Vieira, algumas funções foram longe demais na aposta no toque. “Admitimos que talvez tivéssemos exagerado um pouco, sobretudo em algumas funcionalidades”, afirmou, acrescentando que foi necessário “dar um passo, meio passo atrás”.

© Razão Automóvel - No ID. Polo, não é preciso interagir com uma tela para controlar o ar-condicionado.
Esse ajuste de rota não significa abrir mão da tecnologia - e sim aplicá-la com mais critério. As telas seguem centrais para navegação, conectividade, aplicativos, configurações e sistemas de assistência à condução. Ao mesmo tempo, há comandos que, por serem usados o tempo todo, pedem resposta imediata e realmente tátil.
O ID. Polo como ponto de virada
A apresentação nacional do Volkswagen ID. Polo no ECAR Show 2026 foi palco para discutir eletrificação, preços e a ideia de “democratizar” os elétricos. O modelo vai chegar a Portugal com preço de entrada a partir de 24 700 euros, abaixo da barreira psicológica dos 25 mil euros.
Leia também: Volkswagen Polo elétrico em Portugal por menos de 25 mil euros
Um dos elétricos mais aguardados da Volkswagen foi revelado no ECAR Show e promete ser uma das estrelas do salão.
Por Mariana Teles
Mas este Auto Talks com Ricardo Vieira deixou outra mensagem clara: a transição para o elétrico e a digitalização do automóvel não deveriam obrigar o motorista a reaprender gestos que sempre foram - e deveriam continuar sendo - simples.
Autor: Fernando Gomes - Entrou no universo dos automóveis pelo design e hoje traduz sua paixão por carros na escrita.
Marcas/Modelo: Volkswagen, ID. Polo, Sedã
Tags: Botões, Volkswagen, Volkswagen ID. Polo
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