A Ford está de olho em uma entrada no setor de defesa na Europa e na América do Norte, aproveitando veículos e tecnologias que já desenvolve para o mercado de utilitários e comerciais. A mensagem central da marca é objetiva: “tecnologia de ponta numa fração do tempo e do custo”, como afirmou em um comunicado.
De acordo com a empresa, governos dos dois lados do Atlântico já procuraram a Ford para entender de que forma ela poderia atender às necessidades atuais de defesa.
A fabricante diz que o interesse tem uma explicação direta: “Os governos já reconhecem que os veículos, recursos e software que fornecemos são exatamente o que precisam para modernizar as suas próprias frotas de veículos”. Para a Ford, a conta se resolve com quatro palavras: rapidez, escala, capacidade e durabilidade.
“A nossa missão é clara: estamos focados em apoiar aqueles que vestem uniforme, oferecendo mobilidade, segurança e transporte”.
Ford
Ambições globais
Mesmo com maior peso no seu mercado doméstico, a Ford afirma que a meta não é restrita a um país. “A segurança é um esforço colaborativo, e as nossas operações internacionais são essenciais para essa visão”, reforçou a companhia.
Para tornar essa expansão viável, a Ford destaca a Ranger como um dos modelos com mais potencial para aplicações militares. O motivo, segundo a marca, é produzir e vender a picape simultaneamente em vários mercados - o que a colocaria como uma “candidata ideal para a cooperação internacional em defesa”.
Além da Ranger, a Série F e a linha Super Duty também aparecem como alternativas citadas pela fabricante.

© Ford - Alguns países já usam veículos Ford em suas frotas, da Ford Ranger no transporte militar a soluções “Police Interceptor” voltadas às forças de segurança.
O movimento, vale lembrar, não seria inédito para a montadora norte-americana. Na Segunda Guerra Mundial, as fábricas da Ford chegaram a produzir centenas de milhares de aviões, caminhões e motores destinados aos Aliados.
Mais tarde, no fim dos anos 1950, a Ford criou o M151 (também chamado de MUTT), um jipe compacto pensado para substituir o icônico Willys nas forças armadas dos EUA - e também em outros países.
Já durante a pandemia de Covid-19, a empresa voltou a se envolver com demandas de emergência ao fabricar milhares de equipamentos de proteção individual e ventiladores.
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O que vem depois?
Por enquanto, não existe nenhum projeto específico oficializado no mercado de defesa. Ainda assim, a Ford afirma que as conversas com governos norte-americanos e europeus (sem detalhar quais países) seguem avançando. “Ainda estamos na fase inicial”, acrescentou a marca.
O interesse aparece em um momento considerado oportuno: o Departamento de Defesa dos EUA busca, de forma ativa, ampliar e diversificar sua base de fornecedores - com o objetivo declarado de melhorar serviços e reduzir custos.
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“Conseguem convencer a GM? Conseguem convencer a Ford? Conseguem convencer várias empresas norte-americanas incrivelmente fortes a voltarem para o setor de defesa?”, disse Dan Driscoll, Secretário do Exército dos EUA, à Bloomberg no começo do ano.
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