Não se deixem levar por números chamativos: o Smart #3 Brabus é muito mais do que “apenas” um elétrico rápido. E este primeiro contato bastou para deixar isso bem claro…
Depois do #1 - modelo que abriu oficialmente a nova fase da Smart - agora é a vez do #3, um “SUV-coupé” do segmento C que aposta forte em um visual mais esportivo para atrair um público diferente.
Além da aparência, a marca também promete uma experiência de condução mais “acutilante”, especialmente no Brabus, versão que anuncia 315 kW (428 cv) e somente 3,7s na arrancada de 0 a 100 km/h.
A chegada do Smart #3 a Portugal só está prevista para março de 2024, mas nós já fomos dirigi-lo em Maiorca (Espanha) e ficamos surpresos com o que este 100% elétrico entrega. Vejam o vídeo:
Com várias semelhanças em relação ao #1 - a começar pela assinatura luminosa -, o #3 se diferencia do “irmão” menor pela queda do teto em estilo coupé, pelo desenho e tamanho das rodas (19″ nas versões “convencionais” e 20’’ na linha Brabus) e também pelas dimensões externas.
E, falando em medidas, vale destacar: o #3 é cerca de 10 cm mais comprido do que o #1. Com 4,40 m de comprimento, ele passa a ser o maior Smart já feito.
Por dentro, a sensação de família com o #1 permanece, embora existam mudanças importantes: saídas de ar com novo desenho, novos bancos esportivos na versão Brabus e um teto panorâmico (enorme) que é item de série.
Para ver o novo Smart #3 Brabus com calma - por fora e por dentro - o ideal é assistir ao vídeo em destaque neste artigo, no qual avaliamos materiais, acabamento, pacote tecnológico e até o espaço no banco traseiro e no porta-malas.
Duas motorizações à escolha
No lançamento, o Smart #3 chega com duas opções mecânicas: uma com motor elétrico de 200 kW (272 cv) e outra com dois motores elétricos (um em cada eixo), somando 315 kW (428 cv) de potência máxima combinada.
Essa segunda configuração é exclusiva da versão Brabus e traz números que colocam muitos esportivos em alerta: 3,7s de 0 a 100 km/h, embora a velocidade máxima fique limitada a 180 km/h.
Versão com bateria LFP chega mais tarde
As duas motorizações compartilham a mesma bateria NCM de íons de lítio (níquel, cobalto e manganês), com 66 kWh de capacidade (60,8 kWh úteis). Com isso, o Smart #3 declara autonomia no ciclo combinado WLTP de até 455 km nas versões com um motor e de até 415 km na configuração Brabus.
Mais adiante, já depois do primeiro trimestre, a linha do Smart #3 vai ganhar uma opção com bateria LFP de íons de lítio (fosfato de ferro-lítio), com 49 kWh de capacidade. Essa variante terá autonomia máxima (ciclo WLTP) de até 325 km e apenas um motor elétrico com 200 kW (272 cv) de potência.
Um elétrico com garra
Neste primeiro contato na Espanha, em Maiorca, pude dirigir o Brabus deste SUV 100% elétrico e saí realmente impressionado com o conjunto.
Ao assumir o volante, a primeira coisa que chamou atenção foi a calibração da suspensão: ela é nitidamente mais firme do que a do #1 - mas sem jamais soar exagerada ou desconfortável.
Mesmo mantendo o mesmo esquema de suspensão, a Smart escolheu molas, amortecedores e barras estabilizadoras diferentes no #3, justamente para que o “pisar” do carro combinasse com a proposta mais dinâmica.
E, nesse aspecto, o Smart #3 Brabus entrega o que promete: a condução é envolvente e quase sempre marcada pelo “poder de fogo” disponível sob o pé direito.
O rocket launch, por exemplo - que não existia no #1 Brabus - surpreende (me pegou desprevenido, como dá para ver no vídeo em destaque), assim como a força de frenagem, que naturalmente aumenta a confiança para subir o ritmo.
A facilidade de acelerar no meio da curva e a forma como o torque é colocado no asfalto convidam a andar mais rápido. Isso porque tudo acontece com muito controle, apesar da violência do “disparo” quando se pisa fundo no acelerador.
Ainda assim, o maior destaque fica para o trabalho feito no chassi. Assim que “atacamos” um trecho mais sinuoso, dá para sentir que este Brabus fica muito bem assentado no asfalto e que a estrutura lida com competência com as transferências de peso.
E, mesmo com 1910 kg, ele segue ágil o tempo todo e impressiona pela sensação de leveza que transmite. No fim das contas, fica claro que é um carro muito bem resolvido do ponto de vista dinâmico.
Consumos desiludiram
Se a dinâmica e o desempenho impressionaram positivamente, os consumos que obtive ficaram bem acima do que eu esperava.
É verdade que primeiros contatos quase sempre têm limitações - principalmente pelo tempo disponível - e só um teste completo permitirá conclusões mais definitivas sobre consumos (e autonomias). Ainda assim, eu esperava uma “máquina elétrica” mais eficiente.
Sem preocupação com ritmo e usando o carro de forma normal, tentando explorar as novidades e os pontos fortes do modelo, o melhor que consegui foi uma média na casa de 22 kWh/100 km.
Em cenários mais urbanos, com velocidades mais baixas, consegui ficar abaixo de 19 kWh/100 km - um número mais próximo dos 17,6 kWh/100 km (ciclo WLTP) que a Smart declara para o #3 Brabus. Mesmo assim, longe dos 415 quilómetros de autonomia com uma única carga anunciados para essa versão.
De qualquer forma, para um elétrico do segmento C, mesmo com mais de 400 cv de potência máxima, eu esperava consumos mais comedidos.
Quanto custa?
No lançamento, o Smart #3 será oferecido em quatro linhas de equipamento: Pro+, Premium e 25th Anniversary Edition, além da Brabus, que assume o topo da gama.
Em Portugal, os preços começam em 42 950 euros para a versão Pro+ e em 50 450 euros para a variante Brabus. Isso significa que, em comparação com a versão equivalente do Smart #1, o novo #3 custa, em média, cerca de 1500 euros a mais.
E, na nossa visão, essa diferença de preço parece bastante interessante, considerando tudo o que este #3 adiciona à fórmula já conhecida do Smart #1.
Mais tarde, como mencionamos acima, chega a versão Pro com bateria LFP de 49 kWh, que será a porta de entrada da gama do #3. Porém, o preço dessa versão ainda não foi divulgado.
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