Pedimos uma configuração mais em conta do Corolla Cross e a Toyota “respondeu” com o 1.8 Hybrid. É hora de descobrir se a espera compensou.
Quando testei o novo Toyota Corolla Cross no começo de 2023, na configuração 2.0 Hybrid, registrei que era “uma excelente proposta, que apenas peca pela falta de uma motorização de acesso”.
Alguns meses depois, a Toyota “respondeu” com esta nova opção 1.8 Hybrid do Corolla Cross. A questão é simples: valeu esperar e dá para esquecer o desempenho superior do 2.0 Hybrid?
Colocado entre o novo C-HR (que nós já avaliamos) e o RAV4, o Corolla Cross entra direto no coração do segmento dos SUVs médios (C-SUV). É ali que estão nomes como Nissan Qashqai, Volkswagen Tiguan e Peugeot 3008 - que acabou de ganhar uma nova geração -, além do Renault Austral.
Além de carregar o sobrenome Corolla, que tem muita força e ajuda nas vendas, o Toyota Corolla Cross chama atenção por apostar numa proposta mais tradicional do que a do C-HR, por exemplo, e por deixar clara a sua pegada familiar, algo que fica evidente quando o assunto é espaço.
Sobre isso, vale assistir (ou reassistir) ao vídeo em que o Guilherme mostra com mais detalhes o visual externo e interno do Corolla Cross e o quanto ele é espaçoso, durante a apresentação do modelo para a imprensa em Barcelona (Espanha):
Se o vídeo ainda não bastou, também fica o convite para conferir o teste escrito da versão 2.0 Hybrid deste mesmo modelo:
A diferença está nos motores
Vale lembrar: o Corolla Cross, assim como o carro do qual herda o nome, usa a mesma plataforma GA-C. E, em ambos os casos, a Toyota adota a quinta geração do seu conjunto híbrido.
Na prática, o que separa as duas versões híbridas - como os nomes já sugerem - é o motor que cada uma leva.
Enquanto o 2.0 Hybrid utiliza um motor a gasolina aspirado, quatro cilindros em linha, com 1987 cm³, que entrega 152 cv e 190 Nm, o novo 1.8 Hybrid adota uma variação do mesmo propulsor com 1798 cm³, rendendo 98 cv e 142 Nm.
Apesar de os dois compartilharem o mesmo conceito de sistema híbrido, o motor elétrico que ajuda o motor a combustão também muda: no 2.0 Hybrid ele é mais forte do que no 1.8 Hybrid, com 83 kW (113 cv) e 206 Nm contra 70 kW (95 cv) e 185 Nm. Já a bateria é a mesma nas duas versões: ligeiramente abaixo de 1 kWh.
No fim das contas, o Corolla Cross 2.0 Hybrid declara potência máxima combinada de 196 cv, enquanto o 1.8 Hybrid fica nos 140 cv. Como era esperado, isso aparece nos números de desempenho: o 2.0 Hybrid indica 180 km/h de velocidade máxima e 7,5s no 0–100 km/h; o 1.8 Hybrid aponta 170 km/h e 9,9s nos mesmos testes.
No papel, essa diferença é grande demais para passar batida. Mas no chamado “mundo real” essas duas motorizações ficam tão distantes assim?
A perda de desempenho existe, não dá para negar, mas ela aparece sobretudo quando se exige tudo do conjunto e quando o motor a combustão é levado a giros mais altos.
Já sem “puxar” o motor térmico, a distância entre elas diminui bastante e, em muitos momentos, vira quase detalhe - muito por conta do apoio constante do motor elétrico.
Eficiência em toda a linha
Como no 2.0 Hybrid, as primeiras impressões do Corolla Cross 1.8 Hybrid passam pela suavidade do conjunto e pelo tempo considerável em que o carro roda sustentado pelo motor elétrico, principalmente no uso urbano.
É comum sentir o motor a gasolina desligar e a tração ficar por conta do elétrico; quando o motorista pede mais, o motor térmico “acorda” e volta a entrar em ação.
Com a participação do motor elétrico, a resposta é agradável desde baixas rotações. Além disso, a integração entre os componentes do conjunto híbrido faz tudo acontecer de maneira progressiva - eu diria até natural.
Até o câmbio de variação contínua, que em muitos híbridos costuma manter o motor em rotações altas e gerar um ruído menos agradável, aqui é bem administrado e ajuda a deixar a condução macia e silenciosa.
Dito isso, em rodovia, por volta de 120 km/h, em subida, ou numa ultrapassagem que exige mais urgência, fica impossível não perceber a trilha sonora menos simpática, fruto do câmbio CVT. Nessas horas não há mágica; na cidade, porém, mal se nota.
Conforto está sempre assegurado
No conforto de rodagem, não vejo mudanças relevantes entre as duas versões, até porque elas usam o mesmo acerto de suspensão (independente nas quatro rodas) e a mesma medida de pneus.
Por isso, dá para afirmar que o Corolla Cross 1.8 Hybrid não decepciona nesse ponto - nem quando encontra um asfalto ruim, nem quando a ideia é sair do caminho e sujar os pneus.
Os bancos reforçam essa boa impressão, embora o apoio lateral seja um pouco limitado. O volante tem boa pegada, mas os ajustes não são tão amplos quanto poderiam. Ainda assim, é relativamente simples achar uma posição de dirigir adequada neste SUV.
Comandos bem afinados
Já que falamos do volante, o Corolla Cross também vai bem na direção: ela tem o nível certo de assistência e de precisão.
Somando isso ao bom controle dos movimentos da carroceria em curvas e a uma tração que quase sempre dá conta do recado, fica claro que o Corolla Cross é competente dinamicamente, ainda que, como é natural, não seja um carro para empolgar. Aqui, conforto e estabilidade vêm em primeiro lugar.
O pedal de freio - que precisa conciliar frenagem hidráulica e regenerativa, algo que em muitos híbridos e elétricos costuma ser difícil e acaba “estragando” um pouco a condução - também se mostra bem ajustado.
A função “B”, por sua vez, também está bem calibrada: ela aumenta bastante a retenção nas desacelerações para aproveitar a energia gerada. É um recurso que, na maioria das vezes, eu não costumo usar.
Mas, nos dias em que fiquei com este Corolla Cross, me peguei selecionando essa função várias vezes, justamente porque ela não exige mudar o jeito de dirigir e, ao mesmo tempo, permite recuperar o máximo de energia possível.
E os consumos?
O maior trunfo do Toyota Corolla Cross continua sendo a eficiência do sistema híbrido. Isso já era verdade no 2.0 Hybrid e, sem surpresa, segue sendo no 1.8 Hybrid - e o reflexo aparece diretamente no consumo.
Fechei o teste com média de 5,7 l/100 km em uso misto. O tipo de utilização foi parecido com o que fiz com o Corolla Cross 2.0 Hybrid, que na época registrou 6,0 l/100 km.
Não é uma diferença enorme, até porque só 65 kg separam as duas versões, mas ainda assim é um dado interessante para a proposta. Afinal, trata-se de um SUV familiar de porte considerável e que entrega espaço e versatilidade de referência.
Esse resultado pode ficar ainda melhor para quem pretende usar o Corolla Cross principalmente na cidade. Mesmo sem me preocupar demais em buscar o menor consumo possível (apenas com a função “B” acionada e em modo Eco), consegui média de 4,4 l/100 km, um número realmente muito bom.
Já na rodovia, com velocidade constante de 120 km/h e em modo Normal, não consegui baixar de 6,3 l/100 km.
Quanto custa?
O novo Toyota Corolla Cross 1.8 Hybrid é vendido em Portugal com preços a partir de 37 040 euros (versão de entrada Comfort). Já a unidade testada aqui é a mais completa da linha, a Luxury, com preço inicial de 41 340 euros.
Depois de colocar 1.8 Hybrid e 2.0 Hybrid lado a lado ao longo de todo o teste, era inevitável repetir a comparação quando o assunto é preço.
Só no nível intermediário Exclusive as duas motorizações aparecem: o 1.8 Hybrid custa 39 140 euros, ou seja, 3490 euros a menos do que o 2.0 Hybrid.
Se a comparação for feita entre as versões mais baratas de cada motorização - 1.8 Hybrid Comfort e 2.0 Hybrid Exclusive -, a diferença fica, como seria de esperar, ainda mais clara: são 5590 euros entre elas.
No balanço final, o que o Corolla Cross 1.8 Hybrid entrega a menos em desempenho, ele devolve em custo. O 2.0 Hybrid é mais forte - seria estranho se não fosse -, mas no “mundo real” não me parece que valha 5590 euros a mais do que o 1.8 Hybrid (ou 3490 euros, comparando o mesmo nível de equipamentos).
O Toyota Corolla Cross 1.8 Hybrid seria a versão que eu compraria.
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