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O Opel Corsa Electric evoluiu no caminho certo, exceto no preço

Carro elétrico Opel Corsa EV verde em salão moderno com piso de mármore e paredes claras.

Rüsselsheim, cidade natal da Opel, serviu de cenário para os primeiros quilômetros ao volante do Corsa reestilizado - um nome carregado de tradição dentro da marca alemã.

Desde 1982, ele é o representante da Opel no segmento de compactos: já somam seis gerações e mais de 14,6 milhões de unidades. A geração F, a atual, chegou em 2019 e foi uma das primeiras da Opel a adotar o hardware da (ex-) PSA, depois que a marca foi comprada pelo grupo em 2017.

No fim das contas, essa escolha abriu caminho para o primeiro Corsa 100% elétrico de produção. E, agora, com a atualização, a estratégia é reforçada com a chegada de uma nova versão. Ela entrega mais potência e melhor eficiência e, junto da bateria (ligeiramente) maior, faz o Corsa Electric ultrapassar os 400 km de autonomia.

O que mudou no Corsa 2024

O grande destaque do Corsa atualizado é o novo Corsa Electric, mas a reestilização não se resume a isso. Por fora, a mudança mais evidente é a adoção do Opel Vizor, a atual “cara” dos modelos da marca. Por dentro, o modelo ganhou reforço nos argumentos de tecnologia e, além da nova configuração elétrica, o Corsa reestilizado também passa a trazer novas motorizações mild-hybrid 48 V.

Neste primeiro contato em Rüsselsheim, porém, só foi possível dirigir a nova variante elétrica - que também assume o posto de topo de linha. O preço, sem dúvida, acompanha esse status, mas já chegamos lá…

Para sublinhar essa posição, ela é oferecida apenas com o nível de equipamentos GS, o mais alto. A gama, inclusive, foi enxugada e passa a ter apenas duas versões de acabamento: Corsa e GS.

Anda mais e gasta menos

A nova motorização 100% elétrica, ainda assim, não é uma estreia completa: ela já apareceu em outros elétricos da Stellantis, como Peugeot e-208, Jeep Avenger e DS 3.

Nesta configuração, entram mais 15 kW (20 cv), chegando a 115 kW (156 cv), além de uma nova bateria de 51 kWh. Ela traz 17 módulos e 112 células - números inferiores aos 18 módulos e 216 células da bateria de 50 kWh anterior. Segundo a Opel, essa arquitetura favorece a eficiência, e os dados oficiais não contradizem.

A marca declara consumo combinado entre 14,6-14,2 kWh/100 km para a versão de 115 kW, um avanço frente aos 16,4-15,7 kWh/100 km da variante de 100 kW (136 cv). Com isso, a autonomia máxima chega a até 405 km, ou seja, mais 48 km (357 km) do que o Corsa elétrico já existente.

Isso se confirma no uso real? Depois de pouco mais de 100 km rodados em situações variadas - da autobahn a trechos urbanos de semáforo em semáforo -, os cerca de 14,7 kWh/100 km registrados são um indicativo bem animador para uma avaliação mais longa em Portugal. É um número melhor do que os 16-17 kWh/100 km que obtive quando testei o primeiro Corsa 100% elétrico três anos atrás.

A “cereja do bolo” é que o Corsa Electric de 115 kW também melhora o desempenho, o que eleva a sensação de prazer ao dirigir.

Ainda assim, para ter acesso aos 115 kW e 260 Nm por completo, é necessário selecionar o modo de condução Sport. Em Normal, a potência máxima fica limitada a 80 kW (109 cv e 220 Nm); já no modo Eco, não passa de 60 kW (82 cv e 180 Nm) - o que ajuda a explicar a maior “preguiça” do acelerador nesse ajuste.

No Sport, por outro lado, o Opel Corsa parece “perder” algumas centenas dos seus 1544 kg (!), graças à maior sensibilidade do pedal e à resposta correspondente do motor elétrico.

Menos francês, mais germânico

Além da disposição mais viva do motor elétrico no modo Sport - que nos presenteia com uma direção um pouco mais pesada, embora continue pouco comunicativa -, o que mais chamou atenção neste contato dinâmico foi um amortecimento mais seco do que eu lembrava no Corsa.

Quando esta geração estreou, em 2019, eu até costumava dizer que ele parecia mais “francês” no acerto dinâmico do que o seu “primo francês”, o Peugeot 208, notoriamente mais convicto no amortecimento e no controle dos movimentos.

Com a atualização, a Opel parece ter “acordado” os genes alemães - ao menos neste GS elétrico -, com um rodar mais firme, movimentos mais contidos e uma condução mais incisiva.

Ainda assim, o Corsa atualizado está longe de ser desconfortável. Os bancos são agradáveis (apesar de também irem para o lado firme) e seguram o corpo de maneira razoavelmente eficiente.

E o isolamento acústico a bordo também é bem resolvido, evidenciando a ausência de ruídos parasitas - um sinal de montagem sólida deste compacto. Só em velocidades mais altas é que o barulho de rodagem e o ruído aerodinâmico passam a se destacar.

Atualização tecnológica

Já que entramos no assunto do interior do Opel Corsa atualizado, ele se diferencia pelo novo volante, pelo seletor da transmissão e pelo novo sistema de infotainment, acessado por uma tela sensível ao toque de 10”.

O sistema agora incorpora a plataforma Snapdragon Cockpit, da Qualcomm Technologies, trazendo ganhos em gráficos, multimídia, visão computacional e IA (inteligência artificial), para entregar melhor integração do cockpit, com consciência contextual e capacidade de adaptação constante.

Uma avaliação mais aprofundada desse conjunto fica para outra oportunidade, mas, por enquanto, eu só gostaria que a tela fosse mais sensível ao toque e que a operação fosse mais rápida. Em contrapartida, um ponto muito positivo vai para a excelente qualidade de imagem da nova câmera traseira 180º.

O que, naturalmente, não mudou - afinal, trata-se de uma atualização e não de uma nova geração - foi o acesso ao banco traseiro. Ele segue como um dos pontos menos bem resolvidos do Corsa e de outros modelos baseados na plataforma CMP da Stellantis. A porta traseira é pequena, e a abertura para entrar no habitáculo é menor ainda.

Versão de topo com preço de topo

Se a impressão geral sobre a atualização do Opel Corsa e sobre a nova variante elétrica é favorável, boa parte do “encanto” se dissipa quando o assunto vira preço. É preciso olhar para as opções a combustão do modelo para voltar a sorrir.

Os 37 720 euros da versão elétrica mais forte (115 kW) me parecem exagerados. Mesmo o Corsa elétrico de entrada (100 kW) parte de elevados 34 670 euros.

Basta ver que o 1.2 Turbo de 130 cv, hoje o mais caro entre os a combustão neste início de lançamento, fica a mais de 9000 euros de distância do Electric mais acessível. A gama nacional do Opel Corsa 2024 fica assim organizada:

Depois de a Stellantis - grupo ao qual a Opel pertence - ter mostrado o novo Citroën ë-C3 com preços a partir de 23 300 euros, a conversa sobre o valor dos elétricos ganha outra relevância. É verdade que o ë-C3 não compete em desempenho ou autonomia (bateria menor e química LFP, mais barata) com o Corsa Electric, mas ele traz esperança para a próxima geração do compacto alemão.

Por enquanto, mesmo com as qualidades demonstradas neste primeiro contato, o Opel Corsa Electric deve continuar “empurrado” para o mercado corporativo, que é favorecido.

Para o consumidor particular, sobram as motorizações a combustão, todas baseadas no três cilindros a gasolina de 1,2 l: 75 cv aspirado ou 100 cv e 130 cv turbo.

Mais adiante, chegam as novas opções mild-hybrid de 48 V, que estreiam um 1.2 Turbo evoluído, com 100 cv e 136 cv, e prometem consumos até 15% inferiores em relação aos atuais.

Veredito

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